A assinatura do filho de Jair Bolsonaro foi a única da bancada do PSL a levar falta no requerimento de abertura. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Para requerer a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, os senadores precisam da assinatura de um terço da casa. Foi o que Alessandro Vieira conseguiu em 7 de fevereiro de 2019. O senador do PPS sergipano conquistou o apoio de 26 colegas para aquela que foi apelidada de CPI Lava Toga.
Como o nome insinua, o objetivo é investigar as instâncias superiores do Judiciário, em especial, a atuação do Supremo Tribunal Federal. Com a comissão se atendo a quatro pontos: o uso abusivo de “pedidos de vista”, o desrespeito ao”princípio do colegiado”, o trato diferenciado a “pacientes” mais ilustres, e a relação de membros do STF com atividades econômicas incompatíveis com a Lei Orgânica da Magistratura – esse último há de ser o vespeiro mais perigoso.
A lista com os 27 signatários apresenta parlamentares de dezoito estados e doze siglas, com Podemos e PSDB despontando como agremiações que mais nomes emprestaram à causa. Contudo, os quatro inscritos equivalem apenas à metade de cada bancada. Neste sentido, vale destaque o esforço do trio que atua pelo PPS, e de três dos quatro gabinetes aos cuidados do PSL.
Ironicamente, o único senador do Partido Social Liberal a não adiantar o apoio à CPI do Supremo foi justamente Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, que anda não só tendo problemas na Justiça, como usando o plantonista do STF para suspender investigações e reclamar uma espécie de foro privilegiado antecipado.
Antes de Jair Bolsonaro tornar-se presidente da República e de Flávio tornar-se senador que não assina CPI do Supremo, a dupla protagonizava vídeos em que o patriarca deixava claro: “Eu não quero essa porcaria de foro privilegiado!”